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Blog com notícias e artigos sobre o que acontece em Sergipe e no Brasil. Atualizado pela jornalista Grace Melo. Formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Universidade Tiradentes, Especialista em Assessoria de Comunicação e Imprensa pela Fanese e pós-graduanda em Marketing pela Universidade Federal de Sergipe.
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grace.melo@uol.com.br
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NOSSAS PROMESSAS SÃO MELHORES QUE AS DELES Este ano, assim como em outros eleitorais passados, tenho lido críticas contrárias aos métodos utilizados pelos candidatos para angariar votos. Criticam a forma de enganar o eleitorado utilizando palavras e promessas que tocam a fundo suas carências; outros criticam os carros de som, os candidatos da turma dos apelidos engraçados, a distribuição de camisas, a compra de voto. Dizem que o circo está armado, colocam todos dentro de uma imensa panela e os rotulam como ladrões. Uns desses críticos querem o voto facultativo para não perder tempo nas urnas; outros votam em branco, nulo e se mostram revoltados com o sistema político do Brasil. Mas, pergunto eu, quem é que mantém aceso todo esse processo? Aonde está essa verdadeira revolta, que não seja no bloguinho ou na folha do jornal? Deixemos de tanta hipocrisia e façamos agora, em conjunto, uma auto-análise: todos nós somos iguaizinhos aos candidatos aos cargos eletivos em alguns, ou em vários, momentos de nossas vidas. Falsas promessas, para começar... Aposto que você já enganou até a si próprio com elas. Ou vai dizer que no reveillon, depois de alguns goles de cidra cereser você não fez uma daquelas promessas que tem certeza que não vai cumprir? Emagrecer, parar de fumar, de beber, acordar mais cedo, fazer um exercício, procurar trabalho, largar um trabalho... Então isso pode só porque você estava mentindo para si mesmo. Tudo bem, mas quando as falsas promessas são para os outros? “Mãe, eu juro que não fui eu”, “oi querida, a reunião só terminou agora”, “se você passar de ano aumento sua mesada”, “amor, estou com uma dor de cabeça”, “oi chefe, preciso ir ao médico”... Nem Deus escapa da nossa enganação. O que dizer do “até que a morte nos separe”? E do padre, quando diz que “O que Deus uniu o homem não separa”? Os grandes estrategistas políticos, os bons marqueteiros, são, nada mais, nada menos, que excelentes observadores. Dão ao povo, o que o povo quer. Seu objetivo é um só: eleger o seu candidato e para isso usam as ferramentas necessárias para alcançar seu intento. Uma das questões eleitoreiro-culturais intrínsecas na cultura de nosso estado é não votar em candidato que está muito atrás nas pesquisas. Então, antes de tudo o candidato precisa fazer o possível para aparecer bem logo nas primeiras. E como fazer isso? Fazendo parecer que toda a cidade o está apoiando: é carro de som, camisa, adesivo, a turma das bandeiras... e aí quando o Ibope bate na porta, o eleitor nem conhece o plano de governo (ou as falsas promessas como dizem os críticos) mas afirma que vota em A ou em B, os dois mais bem colocados nas pesquisas. É a síndrome do “quero estar ao lado de quem está por cima, de quem tem mais dinheiro, de quem tem algo a me oferecer”. E é essa síndrome que dá margem à compra de votos. Não meu bem, não estou falando de dentaduras, colchões ou filtros de barro. Porque no dia em que a população carente tiver a certeza de que o candidato não tem como descobrir em quem ele votou, já era. Estou falando daqueles que se vendem em troca de um cargo, por exemplo. Daí toda a família e amigos é persuadida a votar em fulano por conta do tal carguinho. Já vi o tiro sair pela culatra de várias formas diferentes: tipo 1) O cara ganha e não dá carguinho a seu ninguém. Tipo 2) o adversário ganha e quando a família pensa que se ferrou, cicrano consegue um carguinho com seus próprios méritos. Tipo3) é o sócio da fábrica de óleo de peroba que votou em A e morre jurando e prometendo que fez campanha para B... A coisa é complexa, existem teses de doutorado a respeito e quem sou eu para querer descortinar política por aqui, mas, convenhamos, somos todos seres políticos com as nossas falsas promessas que utilizamos para atingir um objetivo. O criticar por criticar não vale de absolutamente nada quando não propõe uma solução para o problema, nem quando o crítico vive naquele estilo do ‘faça o que eu digo, mas não o que faço’. O voto consciente implica no estudo dos candidatos, do que fizeram de seus mandatos anteriores, de suas propostas, de sua trajetória política, das promessas que fez e não cumpriu, da plausibilidade das novas velhas promessas. Os perfis são diferentes, as propostas idem. Somente através desse estudo, dessa análise fria, ignorando pesquisas, bandeiras, carros de som, e com o foco nos fatos, é que se pode chegar na frente da urna eletrônica com uma decisão mais ou menos correta e com a certeza de que está fazendo a escolha certa. Mas, quantos de nós estamos realmente interessados em fazer isso quando, na verdade, o bom mesmo é correr atrás do trio, bebendo uma cerveja gelada, sair por aí dizendo que o povo não sabe votar e ainda tirar onda de intelectual? Porque todo brasileiro pensa que entende de política, da mesma forma que se acha melhor técnico de futebol do que o Dunga, da seleção. Falar é fácil, colocar a mão na massa e começar a agir de maneira coerente antes de sair por aí criticando os outros é que são elas. Escrito por .
às 00h47 |